No decurso do Verão de 1979 fruía eu diariamente a agradável companhia de um dos meus melhores amigos, José Machado, cançonetista, músico, compositor, intérprete e acompanhador de Fado em viola clássica, infelizmente falecido em Paris em Maio de 2007. Por que então perpassava por um nostálgico período em relação à minha estada em França, ocorreu-me traduzir a ideia para a ambiência portuguesa, por diferentes palavras e imagens, da conhecidíssima canção francesa «En Chantant», interpretada por Michel Sardou, cujos versos e música no original são, respectivamente, de Pierre Delanoe e Toto Cutugno. |
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I Em pequeno se chorava minha mãe só me calava a cantar... Com mil sonhos na sacola a sonhar fui para a escola a cantar... Minha mestra, atarefada, ensinou-me a tabuada a cantar... E as lições do amor aprendi-as eu de cór a cantar. A vida é mais engraçada e menos desesperada a cantar. |
II A primeira namorada que tive foi conquistada a cantar... Quando ela se despiu, eu sorri e ela sorriu a cantar... Amor, contente da vida, fiz três vezes de seguida a cantar... De manhã, quando acabou, também ela me deixou a cantar. O amor é mais engraçado e menos desesperado a cantar. |
III Os homens, se obrigados, vão à guerra, são soldados, a cantar... De flor na espingarda a vitória é celebrada a cantar... Rezamos a Jeová, A Deus, Buda e Alá a cantar... Por diferentes opiniões fazemos as revoluções a cantar. O mundo é mais engraçado e menos desesperado a cantar. |
IV Quando eu morrer enfim que seja no meu jardim a cantar... Se minha mulher chorar meus filhos prá consolar a cantar... Virão os novos amigos com os velhos inimigos a cantar... E até meu testamento será lido pelo vento a cantar. A morte é mais engraçada e menos desesperada a cantar!... |